Uma questão de auto estima

Não é segredo que no Brasil a aparência vale muito. Todo mundo se cuida bastante, tem um salão de cabelereiro/manicure/mini spa em cada esquina, pessoal gasta com roupa, com sapato, com bolsa, em níveis que beiram a falta de noção. A verdade é já fui assim. Nunca fui perua, mas já gastei muuuuito com roupa, com sapato. E mesmo quando parei com isso, a rotina de salão sempre foi uma constante. E ainda que gastando bem menos, sempre gostei de moda, de me vestir bem. Vá lá que já me disseram que eu fazia o estilo mendiga fashion, mas convenhamos que era uma mendiga fashion phyna.

Aí corta pra Suíça. Povo aqui joga muito mais no time do conforto e da praticidade. Percebo que o suíço médio é bem discreto e funcional, provavelmente porque o frio domina a temperatura quase o ano todo, e porque aqui usa-se menos o carro e mais o pé. Salão, como já amplamente discutido nesse blog, is a NO. Caríssimo, coisa que se faz de vez em quando. Saem os sapatos de salto, entram as botas confortáveis, o casaco fofinho. Sai o salão de beleza, entra a gente de vez em quando dando um tapa no visual com receita de youtube. 

E foi aí que eu me senti um peixe fora d'água no Brasil. Ou sendo mais precisa, uma mocreia. Ia encontrar as amigas e todo mundo bem vestido, cabelo bem cuidado, unha feita, e eu me sentindo super desarrumada, rs. Foi inevitável me sentir meio mal. Mas também foi inevitável fazer uma reflexãozinha sobre até que ponto a vaidade vem do meio, e até que ponto vem da gente. Porque assim, eu nunca fui perua, nunca fui de me enfiar em cima de salto pra ir em qualquer lugar, mas sempre gostei de estar bem cuidada.

Aí parei pra pensar que tirando por algumas ocasiões especiais, eu não passava um batom há tempos. O tal do cronograma capilar então... Nem lembrava mais como fazia. E enquanto isso, meu cabelo duro de cálcio (um assunto, alias, que merece post próprio - a água da Suíça). Pensei também que ando numa preguiça imensa de me arrumar, e sei que isso tem a ver com o fato de ser uma desempregada que somente faz viagens quase diárias ao supermercado e vai pra escola. Que tem zero compromisso com chefe, com cliente, com código de vestimenta.

No Brasil a gente sabe que não só o visual importa muito, bem como as pessoas julgam muito também. Em 9 meses de Suíça, eu percebi sim que andava num estilinho, digamos, mais (bem mais rs) desleixada, mas me sentia zero julgada. Agora foi chegar em São Paulo que eu me senti inadequada.

Agora por quê esse assunto ficou tanto na minha cabeça, me gerou tanta reflexão e virou até post? Foi por que um garçom me olhou atravessado em restaurante lá em SP? A princípio sim. Mas a real é que ao voltar pra casa, comecei a pensar mais no assunto, e cheguei a conclusão que nem tanto ao mar, nem tanto à terra. Eu seguirei sendo sempre mendiga fashion, é meu estilo, mas percebi que precisava resgatar um pouco o cuidado comigo mesma que em algum momento dos últimos meses se perdeu - porque percebi que me faz falta. Passar um pó na cara de manhã, dar uma penteadinha no cabelo, (porque sim, é bem normal me ver muito descabelada por aí), olhar antes de sair de casa se as duas meias são iguais rs.

Acho que cada um sabe de si, não tem essa de mulher relaxada, vai de como cada uma se sente bem. E acho que eu estou vivendo uma liberdade imensa aqui que é sair de casa como me dá na telha, sem me importar at all com o que as pessoas vão pensar, sem me sentir jamais inadequada. Liberdade, que alias, só conquistei nessa plenitude (porque né, sair de casa por 3 dias seguidos sem pentear cabelo e até com as meias trocadas é muita plenitude na vacalhação, rs) porque as pessoas aqui estão cagando baldes pro que eu uso ou deixo de usar. E nada como a gente resolver, por vontade própria, o que fazer da nossa imagem. No momento, como ando com minha auto estima meio em baixa, chegou a hora de gastar um tempinho a mais comigo.

* esse é o primeiro dos posts pós primeira visita ao Brasil. Tenho várias análises do tipo pra fazer, mas antes preciso organizar as idéias e sentimentos. Aos poucos, muito mais mimimi por aqui.

22 comentários:

  1. Eu amo essa liberdade de sair do jeito que eu bem entender e ninguém estar me julgando. Eu tb sou do time que procura mais o conforto e a praticidade, to sempre descabelada por aí, de tenis e etc. No Brasil sentia tb a mesma coisa que você abordou, todo mundo repara no que você está vestindo.. Aqui na Irlanda você tá andando na rua também ninguém te olha, mas quando você está em um grupinho de amigos ou com pessoas que você conhece, as pessoas acabam reparando, principalmente se é pra sair a noite..as Irlandesas saem super mega produzidas, muito salto alto, vestidos baphonicos e muita maquiagem... e bem, eu saio pra balada de tenis ahhahahaha então sempre recebo aqueles olhares maldosos mesmo que discretos. Mas é o que vc falou, não existe essa de mulher relaxada, vai de como cada um se sente bem.. e eu me sinto bem com meus tenis confortavel do que ficar horas em cima dum salto que nem sei andar hahaha
    Otimo post como sempre, Gabi :*

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    1. Eu já tinha lido isso em algum lugar, que chega a noite as irlandesas saem tudo do armário da RuPaul hahaha.. Que se arrumam, se maquiam, e tal. Aqui, pra falar a verdade, não sei. Talvez em Zurich que é mais chic, ou em balada mesmo, que ainda não fui. Mas em bares e no dia a dia, povo super discreto. E ouso dizer que você pode sair com uma melancia na cabeça que o total de atenção recebida será: ZERO. Devo confessar que eu reparo nos outros, mas muito menos em tom julgador, e muito mais em admiração. Porque no fim, como a Ale comentou ali embaixo, esse tanto de olhar que a gente recebe no Brasil poda a gente, né... E eu ainda estou me acostumando a lidar com pessoas que não são podadas. Então eu olho pra elas sim, mas com admiração.

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  2. Gabi, você arrasa demais com esses posts e amo suas reflexões, de verdade. Eu sei exatamente como você sente e passei pelo mesmo processo de "relaxamento" aqui na Irlanda. Eu nunca fui mega perua (só passei a usar maquiagem com uns 23 anos), mas pra trabalhar ia bem arrumadinha, principalmente porque na Cultura Inglesa tinha dress code, believe it or not. Aí quando vim pra cá vim super na vibe de relaxar e cara, quando olho pras minhas fotos de 2013, levo até um susto com as roupas, cara lavada, cabelo uó, rs. Mas a gente vai se adaptando, se (re)encontrando, e hoje eu consigo balancear bem o arrumada com o tranquila. No Brasil a gente repara demais nos outros, fica comentando a roupa alheia! Isso é uma coisa que eu faço muito menos aqui (porque não tem jeito, a gente acaba julgando ainda que sem querer), até porque o povo até de pijama sai na rua, então normal, né?

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    1. Pois é, eu reparo muito aqui também, mas me sinto menos julgadora e mais admirada sabe. Pra mim ainda é novidade ver gente que não ta nem aí na rua, e eu ainda fico fascinada. Mas é isso que você disse: se reencontrar. Se não tivesse me incomodado, ok, mas me incomodou. E aí me gerou muito questionamento interno, até eu entender que preciso encontrar o meio termo. Adoro poder sair de qualquer jeito, mas preciso me ater a alguns cuidados básicos haha.. Que bom que gostaram do post mimimizento :)

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  3. hahahaahahah amei as reflexões! Amo os gringos que super não ficam reparando. Isso é uma coisa que me irritava muito no Brasil. Reparam se você está gorda ou magra, se está com espinha, se está com olheiras, se seu short está curto e a celulite está aparecendo, reparam na sua tatuagem, no seu tênis, na sua roupa... em tudo! Uma vez resolvi sair de chapéu em Brasília e todo mundo na rua ficava olhando, me senti um ET. Se você acha que em SP as pessoas reparam, tente imaginar como é na capital federal. As minhas roupas aqui ficam novinhas porque eu fico em casa toda mulambenta e só vistos as roupas melhores para sair. Mesmo assim, tudo bem básico. Só vou ao salão para cortar o cabelo e as unhas são naturais desde que cheguei (no Brasil eu fazia toda semana). Essas coisas aqui são baratas e as ucranianas gostam de se arrumar, mas eu simplesmente não tenho saco. Sou muito feliz por ter essa liberdade aqui e poder andar de tênis todos os dias, um sonho realizado.

    Mudando de assunto, aquelas dicas de Bern são muito bem vindas viu!

    Beijos.

    www.umnovodestino.com.br

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    1. No Brasil reparam em tudo isso AND ainda comentam hahaha... Você disse isso do chapéu, e eu adoro chapéu mas pouquíssimas vezes tive o saco de sair com um e encarar os olhares alheios.

      Realmente, as ucranianas que conheço são tudo nível Brasil de arrumação, mas ao menos tem essa vibe de reparar em menos em quem opta não ser assim.

      Ps - estou escrevendo um emailzinho sobre Berna. Jajá ele chega :) beijos!

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    2. Obaaa! Adorando ler os comentários aqui. Cheguei a pensar que eu é que era muito do contra, mas já vi que várias pessoas têm a mesma percepção.

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    3. Eu adoro quando os comentários rendem :) Vc pode me mandar um email no gabrielatmilan@gmail.com ?
      Assim te respondo com as dicas :D

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  4. eu acho que é essa liberdade que permite a gente ser mais a gente.
    a cada ida ao brasil os mundos väo se mostrar cada vez mais distantes. e voltar vai ser sempre uma reflexäo. mas acho que no fim, a gente passa a ser mais a gente.

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    1. THIS. É isso mesmo... ir encontrando cada vez mais quem sou eu, o que me incomoda, o que me alegra, e exatamente quem eu quero ser. Senti muito disso - e você, a voz da experiência, só vem a confirmar :)

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  5. Nossa me vi: tanto com relação ao "desleixo" como com o sentimento confuso / estranho / ruim ao me vestir no Brasil como me visto aqui.
    Mas quando coloquei uma roupa chique e passei horrores de maquiagem para sair lá (uma amiga me deu um toque depois da primeira saída) percebi que não sou eu, não gosto... não vai, e agora vou de sneaker sim no barzinho a noite no BR.... e de cara lavada... e fico feluz por ser a única a não parecer um traveco ou uma barbie nas fotos... é tudo uma questão de como a gente se sente... e que bom que vc achou um meio termo ;)

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    1. Nossa.. pior ainda é sair da nossa pele, né. Eu me senti uma mocreia sim, mas vontade de me emperiquetar inteira? Não senti. Senti sim foi saudade do salão, hahaha.. devidamente matada.

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  6. Gabi, no Brasil era uma escravidão para mim até que eu cheguei aqui e me assumi rsrsrs! No Brasil se for encontrar alguém tem que fazer unha do pé, da mão, o cabelo tem que estar escovado, tem que estar maquiada, aaaaah que todo esse trololó já me dá um nervoso. Não digo que a pessoa não se cuide, mas assim como vc, eu aprendi a ver o que era necessário e o que era exagero. Aqui nos EUA tudo é muito casual, e eu no meu mais casual chamava atenção com eles aqui porque eles realmente acreditam que um bom summer dress com uma sandália rasteira bonitinha e umas bijus é estar totalmente arrumada. Meu marido tb me perguntava demais porque eu me enpiriquitava toda para ir ao banco kkkkkkkkkkkkk!!!! Aaaah diferenças culturais! Depois de 8 anos em terra americana, eu assumi meu cabelo ondulado com muito orgulho!!!

    Beijos!
    www.vivendolaforanoseua.blogspot.com

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    1. Eu desencanei do alisamento já antes de vir... não vou ser hipócrita, se eu achasse uma cabelereira boa e barata aqui, já tava alisando de novo, porque sinto falta do cabelo liso. Alias, veja só.. sinto falta principalmente porque ele era muito mais prático do que o meu enrolado, que me demanda muito trabalho, muito cuidado para os quais não tenho paciência. Paradoxos, rs. Beijos!

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  7. Aqui em NY voce encontra de tudo desde as meninas mega arrumadas ate aquelas que andam de pijama. Acho que a pressao da aparencia diminui bastante por que as pessoas sao muito centradas nelas mesmas, ninguem se repara, nao tem ruim ou bom, cada um na sua e no mais todos se respeitam. Desde que mudei pra ca, eu mudei muito, essa fixacao em andar na linha passou e hoje ja nao julgo as pessoas baseadas na aparencia como fazia no passado. E um processo interessante, e quando volto ao Brasil sempre me sinto feia comparada com as amigas e familia, com aquelas unhas maravilhosas, os cabelos de salao, mas ao mesmo tempo nao e algo que eu sinto necessidade de ir correndo fazer, eu sempre aproveito a oportunidade pra me mimar num salao mas e ao mesmo tempo se nao der pra ir nao vai fazer falta nenhuma...rsrs...e estranho...rsrs.
    Beijinhos

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    1. É, em NYC eu acho que é bem um melting pot, tem de tudo, né. Povo mega barbie, povo relax, etc. Mas sim, todo mundo muito auto centrado pra reparar no outro. E no fim, isso se traduz em liberdade pra todo mundo... Não sei como é, no entanto, no lado profissional. Aqui em Berna eu vejo que mesmo o povo seguindo pro trabalho é bem "relax". Sei que em Zurich é mais arrumado. Enfim, eu tive esse choque inicial, e acho que vai ser interessante acompanhar como essa sensação vai evoluir nas próximas visitas. Beijos!

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  8. que reflexão gostosa de acompanhar! eu ja ate tentei ser mais vaidosinha: curto make, gosto de ter, mas no dia a dia, ~malemá~ passo um batonzinho. Hidratante facial e labial e só. E no fim, eu acho que é mais preguiça da minha parte mesmo sabe? porque eu ja to a uns meses sem pintar a unha, mas toda vez que faço ADORO... vai entender hahaha

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    1. Hahaha... eu entendo. Sou assim com algumas coisas. Mas legal que você não sente essa pressão de SP, de estar sempre "alinhada". Não sei explicar, mas sabe.. tipo, pessoal não faz as coisas de chinelo, parece que é um item pra ser usado na praia, piscina, casa, churrasqueira, jamais em público, por ex... Aí quem sai de chinelo é olhado de cima abaixo. Meio bizarro!

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  9. Realmente Gabi, eu senti um pouco disso também quando estive em Sampa, se bem que a minha turma de amigos não é nada esnobe, claro sâo todos "arrumadinhos" (rs...), mas nada demais, sabe? Mesmo assim a galera se preocupa muito com a aparência. Agora, você pode estar "mulambenta" e entrar em uma loja. A vendedora poderá fazer pouco caso de você por isso, massss basta que o seu marido gringo chegue e comece a falar em outro idioma com você, que não seja o português,que o atendimento muda!! Acho isso bizarro, mas acontece. rs...
    Engraçado que a palavra Suíça no Brasil soa sempre como algo muito chique! Se as pessoas soubessem como a vida aqui pode ser simples, e que poucas pessoas mesmo ligam para glamour... enfim, aqui eu também me "libertei" de certas coisas (menos de fazer as unhas, hahahah. Adoro! mas se não der pra fazer, tb fico de boa).
    Eu também já me senti "inadequada" aqui, mas no sentido contrário, de estar muito "arrumada" em uma festinha, onde as pessoas estavam vestidas bemmm simples. hahaha a gente vai aprendendendo. Beijosss

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    1. Pois é.. mas sabe que eu acho que tem pouco a ver com ser esnobe, é somente o estilo de vida mesmo. Inclusive, por exemplo, muitos cariocas chegam em SP e acham todo mundo muito arrumado, porque no Rio a galera vai de havaiana e biquini pro shopping mesmo. Então, acho que é menos uma questão de "status", e mais um modo de vida. Um chefe gringo meu uma vez falou que achava a mulherada sempre arrumada demais, mas que depois reparou que tinha um salão em cada esquina, uma academia em cada esquina, e entendeu que pro brasileiro aparência conta muito. E é verdade!

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  10. Faz uma década que não passo por aqui, mas hoje estou pondo algumas leituras em dia! Gabi, eu sinto exatamente a mesma coisa! Como aqui está sempre frio eu não comprei roupas de verão... aliás não preciso mais comprar roupa de verão pro resto da vida! Tenho até dó de gastar com roupa que não vou usar muitas vezes. Daí a gente chega no Brasil com aquele mesmo vestido de 4 anos atrás. Aquela mesma sandália que eu agora uso 3x por ano na Holanda. A galera repara viu! Acha até que estou precisando de doação! Hahaha! Meu estilo mudou muito aqui e está muito mais econômico, mas recentemente voltei a me cuidar mais. Um tipo de ritual comigo mesma. Faz muito bem fazer uma self escova, uma self mão e pé gastando pouco! Como diz uma amiga do trabalho um pamper day. Nós merecemos nosso carinho! Beijos,

    Carol Felix

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    1. Pamper Day haha.. eu andei fazendo uns também, e da uma elevada total na auto estima. Máscara na cara, no cabelo, creme nos pés, e no fim de tudo, banho de banheira. Eu adoro, e é uma coisa que com todo tempo do mundo que tenho aqui, ainda não tinha feito. Precisei me sentir baranga pra fazer hahaha! Beijos!

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