O que eu fiz, e o que farei

No começo do ano eu fiz esse post com algumas metas para 2017. Foquei em coisas gerais e possíveis, e acho o resultado foi satisfatório porém podia ser melhor. Vejamos:

Conhecer ao menos um lugar novo por mês em Berna ✔️
Eu fiz as devidas anotações para que no fim do ano pudesse conferir, e entre parques, bares, museus e restaurantes, conheci sim lugares novos todos os meses em Berna. Inclusive, na maioria dos meses, foi mais que um lugar novo.
Conhecendo um museu novo...
... e também um exemplar da vida norturna de Berna no verão
Ter um emprego, ainda que temporário ou part time✖️
Esse item não se cumpriu, mas não por falta de vontade, né... Já comentei aqui dos meus visa issues, e é isso aí. It is what it is. 

Finalizar o B1 no alemão✔️
Siiiim.. terminei julho com a régua passada no B1. Meu alemão não é nenhuma maravilha, mas hoje já me viro, resolvo as questões do dia a dia, tenho conversinha fiada de vez em quando com alguma senhorinha... certamente com a gramática toda cagada, mas e daí, né. Um passo de cada vez.

Perder o kilo que me sobra e permanecer abaixo dos 60kg✖️
Não tive coragem de me pesar. Fim.

Subir um nível no ballet ✔️
Alcançado. Sigo longe de ser uma bailarina, mas a minha evolução é bem notável em aula, e eu estou feliz. Estou pronta para passar para uma aula mais adiantada, mas por questões práticas vai ficar para abril. O que importa mesmo é q eu eu evolui.

Usar a bicicleta além do subúrbio✔️
Outra missão cumprida. Causo engraçado: no meu primeiro dia além Ostermundigen eu tomei um TOMBASSO nos trilhos de bonde, daqueles de tirar o sujeito do rumo. Mas ok, não me abalei, e segui minha vida. Hoje em dia ando de bike nessa Berna inteira. 

Esquiar decentemente✔️
Terminei o inverno descendo uma pista azul em 20 minutos, sem cair, sem medo, felizona. Meta devidamente cumprida.

Ler mais livros✖️
Falhei. Miseravelmente. Não contei, mas devo ter lido o mesmo tanto do ano passado, ou no máximo um livro a mais. 

Finalizar o processo da cidadania italiana✖️
Outro item não realizado, mas também não por vontade minha. Contei aqui o que se passou, e o porque decidi fazer o processo aqui na Suíça. No entanto, preciso ter residência fixa para poder fazer aqui, o que só sai em julho de 2018. Então o processo está on hold até lá.

Fazer trilhas✔️
Siiim. Poderia ter feito mais, claro, mas ainda assim, é um começo e eu considero essa meta alcançada. Fiz seis trilhas esse ano, sendo uma delas tão linda e maravilhosa que me fez chorar de emoção. 

Começamos a trilha numa geleira e terminamos de cara pra uma cachoeira coroada por arco-íris. Vale o choro, né?
Ver mais filmes✖️
Vish... esse item aqui ficou pior que o dos livros. 

Usar menos celular✖️
Nessa minha nova vida aqui na Suíça eu virei muito heavy user de celular. Eu fico muito sozinha, e acabo passando o dia com o bendito na mão, falando com amigos e família no Brasil, olhando redes sociais, enfim, buscando companhia. Esse ano eu tentei usar menos, e acho que até diminui um pouco, mas MUITO POUCO. Não era o que eu estava pensando quando botei esse item na minha lista. Então vai ficar como item em aberto. 
* * *

E o que eu quero para 2018?

Eu quero... 

* realizar os itens da lista de 2017 que não consegui (ou seja, arrumar emprego, terminar cidadania, ler mais livros, ver mais filmes e usar menos o celular);

* tirar o Telc (exame tipo Toefl, mas de alemão) para o B2; 

* conhecer os 6 cantões suíços que ainda não conheço; 

* voltar a Berlim; 

* cozinhar mais coisas diferentes;

* manter uma rotina de cuidados com a pele, porque I wanna be forever young hahaha;

* fazer um calendário de advento no Natal;

* aprender a usar a minha máquina de costura (que eu já disse por aqui que aprenderia, e fiz foi nada sobre isso).

E aí, como será que será?!?!

Cara a cara com uma geleira

Ao final do nosso mês de andança pela Suíça, queríamos encerrar em grande estilo. Mas como era 1 de agosto, o Dia Nacional da Suíça, queríamos também fazer algo meio swiss style. Depois de avaliar algumas opções, decidimos por um hiking. Mati foi atrás de qual trilha fazer, encontrou coisas e eu fui meio às cegas. Montamos nosso picnic, pegamos um trem para Brig, de lá um outro trem sentido Betten, e depois ainda um cable car para Bettmeralp. Ao todo foram 2:30 de percurso, mas que eu nem senti passar porque foi lindo. 



Lá no topo há um restaurante, e então Mati me apontou outra direção: vamos pra lá, vamos em direção à geleira. Nessas alturas eu já estava sabendo que iríamos fazer uma trilha no Aletsch Glacier, a maior geleira alpina. Porém nada te prepara para chegar lá e:

Eu nem conseguia acreditar no que meus olhos viam. Descemos em direção à esse rio congelado e passamos horas caminhando na beirada da paisagem mais surreal que eu já vi na minha vida. É possível ver as entranhas azuis da geleiras, os cristais, aquele gelo eterno que não derrete nunca. Ao redor, essas montanhas enormes, cercadas por nuvens bem dramáticas. E pra deixar tudo ainda mais pitoresco, encontramos várias vezes com grupos de cabras e ovelhas se aventurando nas pedras. Eu tirei trocentas fotos, e nenhuma delas descreve a grandiosidade desse lugar, e a emoção de botar os olhos nisso tudo. Eu chorei de emoção e não foi só uma vez. 
Nossa trilha
As entranhas da geleira


<3 
Sentamos algumas vezes para apreciar a paisagem com calma, comer nosso almoço, depois andamos, e paramos para sobremesa, e assim fomos indo. Depois de algumas horas, entramos em direção a um ponto de apoio, onde a ideia era sentar de nov e depois dar uma volta na montanha, passando pelo Märjelensee, e assim alcançar nosso ponto de chegada em Fiescheralp. Mas aí começou a fechar o tempo, e acabamos optando por cruzar um túnel que cruza a montanha por dentro, o que cortaria o nosso caminho em 1 ou 2h (dependendo da rapidez). O túnel é completamente escuro e gelado, e uma lanterna teria sido boa ajuda rs. Mas a gente se virou mesmo com a luz do celular (de Mati, porque o meu já tinha morrido - e por isso mal tenho fotos dessa segunda parte do trajeto rs). Ao sair, a chuva tinha dado uma trégua e aí, a gente da de cara com o que?

Pois é. Quando eu achei que já tinha visto coisa maravilhosa o suficiente, ainda aparece uma cachoeira imensa rodeada por um arco íris. Mais um ponto alto desse dia que já estava incrível. Seguimos nesse caminho, que é super bonito, até chegarmos em Fischeralp, onde pegamos o bondinho de volta para Betten. 
E a felicidade?
Entre todas as coisas bonitas que eu já vi aqui na Suíça, acho que esse dia foi o mais espetacular. E eu recomendo muito pra quem gosta de trilha ir lá se aventurar no Aletsch Arena, um ecossistema absurdo, repito, a maior geleira alpina (e que vem perdendo alguns centímetros todos os anos, by the way), e fazer alguma trilha. Essa que fizemos (detalhe aqui) não é difícil, encontramos famílias fazendo com crianças, bebês em mochilinhas nas costas. Só não é possível para quem tem mobilidade limitada, já que você anda num barranco com pedregulhos.

O trajeto todo saindo aqui de Berna, para quem não tem nenhum desconto de trem, sai em torno de Fr. 70 o trecho. Para quem tem o Swiss Travel Pass, o trajeto está quase todo inclusive, sendo somente necessário pagar o último cable car com desconto de 50% (e eu já não me lembro mais quanto exatamente foi, mas acho que em torno de Fr.15).

Ps - sorry as fotos de celular, mas a gente é meio beginner nesse negócio de trilha e não queria carregar máquina pesada o dia inteiro rs

Saas Fee

Logo quando chegamos aqui e começamos a falar de esquiar, alguém já mandou a gente decorar esse nome: Saas Fee. É uma vila alpina no Valais, cantão ao sul da Suíça, que fica a 1300m de altitude, e onde se concentram algumas geleiras, acessíveis através de gôndolas e lifts. Por isso é possível esquiar lá o ano inteiro. Além disso tem um bastente pistas de nível fácil e intermediário, ou seja, muito conveniente pra quem está aprendendo, no caso eu e Mati.

Em abril fomos para o nosso último esqui do inverno - e pra vocês verem, mesmo sendo abril, alta primavera, por lá a neve ainda estava pegando forte, tanto que demos azar e o dia estava com alerta de avalanche, então só conseguimos esquiar na pista de treino na vila. 
Na pistinha de treino, que aliás, é excelente
Agora com minha irmã aqui, resolvemos que abriríamos a ski season por lá. Facilitou a decisão o fato de eles estarem com uma promoção (até 17/12) no season ticket. Quem tiver interesse, entra aqui que é possível comprar um passe que vale desde já até o fim de abril por 233 francos. Nós compramos. E embora a vila seja famosa pelo esqui, eu acho que quem não quer esquiar, mas quer ver uma autêntica vila alpina, pode considerar o passeio. Porque a vila é uma graça de linda, e a paisagem, meu povo... é de babar. Saas Fee é rodeada por vários picos imensos, alguns de mais de 4 mil metros de altura, por geleiras azuis e brilhantes, árvores pontudas. Sério. Apenas vejam:


Mati deslizando pela rua pra gente ir almoçar mas rápido, rs
Uma outra coisa muuuito gracinha são as casas de pedra, características do Valais. No caminho entre Visp e Saas Fee é possível ver que muitas casinhas pela estrada são todas feitas de madeira, cujo telhado e base são de pedra, para evitar a ação de roedores. E lá em Saas Fee tem várias. É muito charmoso:

A circulação de carros que não sejam elétricos é proibida por lá, e as ruas sempre livre dão um charme extra. É tudo bem perto, então a "falta" de carro não dificulta, mas tem uns taxis elétricos e um ônibus que faz o trajeto entre a rodoviária e o meinho da vila, no Alpin Express, para quem estiver com as pernas cansadas haha. Como Saas Fee é bem turística, inclusive eles se autodenominam a República das Férias, rs, tem bastante estrutura: restaurantes, bares, bancos, hotéis, Airbnbs, mercadinho, lojas. Inclusive, os bares ficam beeeem agitados quando as pistas começam a fechar no fim do dia. Nos meses mais quentes de verão sei que muita gente vai fazer trilha, aproveitar a paisagem e o ar mais fresco que a alta altitude garante. 

Nessa ida que passamos mais tempo por lá e andamos mais pela vila, voltei apaixonada por Saas Fee, e feliz que compramos o passe, assim sei que vamos voltar muitas vezes nos próximos meses. 

* * *
Informações importantes:
- para ir de transporte público é bem fácil. Você pega um trem de one estiver para Visp, e partir de Visp o ônibus 511 te leva até entrada da cidade. A viagem aqui de Berna dura um pouco menos de duas horas e meia, e o custo é de Fr. 70 o trecho para quem não tem desconto nenhum. As viagens para o Valais são sempre caras porque você cruza o Lotschberg, um dos grandes túneis da Suíça;

-  o passe diário de esqui por lá ta saindo 73 francos, e por isso, se a ideia for esquiar mais que 4 vezes pela Suíça nesse inverno, já vale comprar o wintercard que eu mencionei ali em cima. Como nós já iríamos 2 dias nesse fim de semana, compramos. É um preço bem bom para a Suíça, onde esquiar é caro mesmo;

- a cidade fica cheia nos finais de semana, então fazer reservas de hotel com antecedência é fundamental. É também bom reservar mesa nos restaurantes, que ficam todos meio cheio no mesmo horário, já que o povo por lá dorme cedo para acordar cedo no dia seguinte e curtir a montanha. 

Zibelemärit, ou Mercado da Cebola

Desde o século XIV, mais precisamente 1.405, na última segunda-feira de novembro acontece em Berna o Mercado da Cebola, o Zibelemärit. Pois é, Brasil nem tinha nascido e esse povo tava comprando cebola na rua de Berna hahaha. Mas então, bobagens a parte, há algumas diferentes histórias sobre a origem do mercado, mas vou me ater à minha favorita. Em 1405 Berna foi atingida por um incêndio que destruiu muitas casas e matou em torno de 100 pessoas. Para auxiliar a reconstrução da cidade, vieram pessoas de Fribourg, um cantão vizinho. Em retribuição, a cidade de Berna convidou os produtores de Fribourg para vir vender as cebolas de sua última colheita antes do inverno aqui, e assim dar também um gás na economia combalida pós fogo. Gosto dessa história porque de uma tragédia fez-se a gratidão, e de gratidão deu-se a festa, e de festa eu gosto. 

Mas e como é o mercado? É nada mais nada menos do que uma famosa feirinha que temos no Brasil hahaha... Muitas barraquinhas vendendo variados tipos de produtos, com um grande destaque para coisas feitas de cebola, como bonequinhos, tranças, sopa, etc. Há dois produtos que são as estrelas da festa, rs: glühwein (o famoso vinho quente), e o pão de... ALHO. Hahaha pois é, na festa da cebola quem faz sucesso é o pão de alho. Vai entender.. mas que é gostoso é (e se botasse um espetinho de coração pra vender junto ficava ainda melhor ahahaha). 
A família inteira participa das vendas
E tem trancinha, cestinha, TUDO de cebola
Inclusive esses colarzinhos são de... cebola
E reparem bem... essa cabeça é feita de: Cebola
Tem também bastante decoração de Natal:



Além das barraquinhas, do goró e do bafo de alho, o povo também se acaba de jogar confete. Uma coisa tipo Natal meets Carnaval. Muuuuuita criança e adulto jogando confete um no outro, na cara dos velhinhos, na boca dos bebezinhos, no ecsiste salvação, todos serão atacados. Inclusive tem um revolvinho que é tipo uma catapulta do demônio e você será atingida por uma lufada de confete, não tem escapatória. Confete vai entrar dentro do seu casaco, dentro da sua calça, no meio do seu cabelo, dentro do seu gorro, e todos varrerão confetes de suas casas até o fim da eternidade. Além do maldito confete, as crianças andam pela rua com um martelinho tipo Chapolim Colorado, e você vai levar martelada, também não tem como se livrar dessa sina. Ou seja, se você não tiver a fim de comer confete nem tomar martelada, fique em casa. 



Um fato interessante é que o negócio começa às 5h da matina, e o povo vai em peso pra rua no meio da madrugada. Eu não sei dizer o quanto isso contribui para a experiência, porque né, no thanks, não fui. Mas devo dizer que o povo vai e já começa a se entupir de vinho quente logo cedo. Resultado, cheguei lá ao meio dia e se riscasse um palito de fósforo naquela feirinha ela tinha explodido, porque o que tinha de gente ligeiramente alcoolizada não ta escrito rs. 

É uma tradição, e é um dia bem divertido pela cidade. Se alguém for estar pela Suíça na última segunda de novembro, eu recomendo muito visitar Berna. 

11/2017

Já é fim de novembro, já é fim do ano. Está chegando aquela época que a gente faz balanço do ano, da vida, que a gente faz promessa, que a gente celebra, reencontra, olha pra trás, pra frente. Mas eu quero parar e ficar olhando pra novembro. 

No começo do mês recebi a Laura aqui em casa. A conheci no Wisconsin, há 11 anos, e desde então temos uma amizade a distância, nos falamos de vez em quando, sabemos meio por alto como está a vida uma da outra e nos encontramos em outras duas oportunidades desde que vim embora de lá. Mas esses reencontros são leves, são naturais, são como se o tempo mal tivesse passado. Se por um lado tudo mudou desde o Wisconsin, por outro parece que as poucas e boas amizades que fiz por lá ficaram paradas no tempo, num bom sentido. Para elas o tempo não passa, as coisas não mudam, simplesmente porque nada importa, a gente se entende. Foi assim com a Laura, e é assim com outras duas pessoas especiais que conheci lá. Ter a Laura aqui em casa foi como unir vários mundos paralelos. E foi legal demais!
Laura, my yoggi friend
Nesse meio tempo Mati viajou a trabalho e eu fiquei. Pela primeira vez não fiquei ultra incomodada de estar aqui sozinha. Já aconteceu outras vezes, e eu ficava agoniada, como se minha vida aqui sem ele não fizesse sentido, porque eu não trabalho, "não tenho motivo" pra estar aqui além dele. Sério, eu me senti muito assim nas poucas noites que passei por aqui sem ele. É bizarro, mas é coisa da cabeça da gente, e não tem como evitar. Mas dessa vez foi diferente. Minha vida é aqui, minha cabeça aceitou. E ao invés de paranóias, dessa vez teve uma night com as amigas, diversão, e ao invés de sofrimento, rolou um aconchego.
Vinho & Amigas
Logo depois chegou minha irmã. Minha irmã mais velha, com quem sempre uma relação de altos e baixos. Mas nada como o tempo, a idade, e até a distância, para fazer as coisas entrarem no seu melhor. Ela passou dez dias por aqui, passeou pela Suíça toda, fizemos programas gostosos, andamos na neve, vimos vilas fofinhas, fomos nadar em termas, esquiar numa montanha absurda, e aproveitamos bastante. Foi bom ver que a vida adulta traz paz para velhos conflitos.
Nos divertimos pela Suíça
Foi também o fim de uma sequencia de visitas maravilhosas. Desde julho que não passamos mais que 15 dias sem visitas. Parece cansativo, mas a verdade é que pra mim foi uma delícia. Mostrar um pouco da minha nova cidade, do meu novo país, dividir minha vida, dividir minha casa com amigos, com família, foi muito bom.
Amigos
E mais amigos
E novos amigos (foto feita pela Bárbara)
E as visitas mais esperadas e amadas: meus pais <3
Mais do que isso: me fez feliz ter muita companhia. Eu não estava estudando todos os dias, desde agosto que só vou na escola uma vez por semana, e muitas vezes, nos dias em que eu estava sozinha em casa, com Mati no trabalho, eu dava umas choramingadas. Porque estava entediada, porque não tenho trabalho, porque não tenho visto, e aí meus amigos, é uma ladeira acima na escala da choramingância. E eu gosto de casa cheia. Então ter a casa cheia de amigos, ter companhia, ter gente que falar meu bom português, tudo isso deixou os meus dias por aqui mais alegres, me fez sentir que minha vida está como sempre foi, só que num outro lugar. E isso pra mim é ouro.

Novembro não encerra o ano, mas encerrou alguns ciclos por aqui. E foi maravilhoso por isso. Obrigada :)

A saúde pública na Suíça

Não existe saúde pública na Suíça. 

Fim. 

Hahaha... Falando sério, realmente, não tem saúde pública na Suíça, mas tem um sistema que aparentemente funciona, porque a expectativa de vida da população aqui é altíssima rs. 

É obrigatório ter plano de saúde privado no país. Toda pessoa que aqui reside deve estar coberta por um plano de saúde, e mesmo se for temporário, tem que haver ao menos um plano internacional, sob pena de multa. É como o Obacamare, se isso ajudar alguém a compreender melhor. Quando alguém se muda pra cá, tem o prazo de 3 meses para contratar o seguro, e se nesse meio tempo acontecer um acidente, um imprevisto, o seguro cobrirá retroativamente. Esse tempo é bom pra ir pesquisando e tentar entender melhor como as coisas aqui funcionam. 

Pra começo de conversa não existe aquela coisa do Brasil de pagar um plano e pronto, entrar no hospital, sair, ir na consulta, assinar um papel e ir embora sem deixar um tostão. Aqui existe o sistema de franquia, tipo seguro de carro. Você pode pagar um plano cuja prestação mensal é maior, e ter uma franquia menor. Se você quiser pagar uma prestação mais leve, a franquia sobe. A franquia pode variar de 300 a 2500 Francos por ano. Isso significa que o seguro, pelo qual você paga um valor bem considerável, só vai começar a cobrir sua despesa depois que você tiver gasto o valor da sua franquia. E ainda assim, depois disso, você deverá pagar 10% do valor da sua despesa, até um teto de 700 Francos. Pesado, né? Quando a pessoa não tem condições de pagar o plano, o governo da subsídio.

O valor de seguro varia bastante de cantão pra cantão, mas eu diria que um plano individual barato não vai sair por menos de 200 por mês em qualquer lugar, e um plano caro, sei lá, o céu é o limite, acho rs... Vi coisas no valor de 500 francos por mês para a franquia mais baixa. E é nesse momento que vai valer a pena ter um corretor bom, que te indique o que é melhor pra você, e também avaliar sua necessidade. 

Aí no meio você vai encontrar umas variáveis que podem baratear ou encarecer o seu plano: há a possibilidade de ter um médico de família, a quem você deve sempre consultar antes de ir pra um especialista (o que barateia), ter a liberdade de ir no médico que você quiser sem pré aprovação (o que encarece), ter um hotline pra onde você liga e explica o seu problema e eles te encaminham para um especialista (barateia), etc... Há também os tais suplementos, que são pequenos penduricalhos que você pode por no seu plano e ter mais benefícios, como cobertura internacional, maior cobertura de hospitais, etc. Vários desses suplementos valem bem a pena, porque aumentam muito pouco o seu valor mensal, mas aumentam significantemente sua cobertura. Por exemplo, por um custo total de 20 francos por mês, conseguimos adicionar uma maior cobertura internacional, a opção de usar qualquer hospital do país e maior reembolso no caso de utilização de ambulância. Porque sim, até isso é pago, e custa caro. De acordo com os suplementos que você tem, você pode também ter alguns benefícios a mais, como reembolso de lentes corretivas (óculos), de academia (por ser ~medicina~ preventiva), etc. 

Existe um site (www.comparis.ch) no qual é possível fazer uma cotação de acordo com suas necessidades. É bem prático, e através dele você já consegue entrar em contato com as corretoras. 

O assunto é bem complexo, e dá muito pano pra manga. Muita gente reclama do sistema, porque é caro (e é mesmo), e porque te empurra a pagar sempre alguma coisa. Por outro lado acho que a facilidade que temos no Brasil nos acostumou a usar demais o plano, muitas vezes sem necessidade. Trabalhando junto ao RH nos meus últimos empregos, ficava evidente o quanto os funcionários iam ao PS quando a empresa não colocava limites. E isso se traduz na atual crise dos planos de saúde no Brasil, de como está tudo tão caro, e o porquê vários deles estão declarando falência. 

Eu ainda não tenho conhecimento profundo sobre o assunto - esse post é somente um overview - e talvez seja prematuro fazer uma analise, mas a princípio posso dizer que estou #chatiada porque queria estar indo na dermatologista cuidar da cutis sem desembolsar um centavo, rs. Brinks. Estou mesmo #chatiada por achar que um país com 8 milhões de habitantes, e tanta riqueza acumulada, talvez conseguisse manter um sistema de saúde público a la o alemão, dinamarquês, etc. Óbvio que isso se traduziria em maiores impostos, mas não sei se em mais de 200 francos de imposto por mês + 2500 por ano + 10% da despesa, rs. Realmente não sei. Fica aí essa reflexão para quem está aqui pela Suíça, e fica essa informação para quem está pensando em vir pra cá. 

Mimimi


Tem época que eu não tenho nada pra fazer e a inspiração brota, e eu vou lá e escrevo cinco posts de uma vez que depois vou soltando aqui devagarinho rs... Mas tem outros tempos, tipo os dias cinzas, frios e CHATOS que estão assolando essa Berna, que minha cabeça não produz nada além de uma vontade imensa de comer doces. E pra piorar o estoque de posts acabou. 

O inverno chegou com força por aqui. Depois de um mês e pouco aí de outono forte, com folhas amarelando, vermelhando, e colorindo a paisagem, eis que do nada as temperaturas caíram, e as manhãs nem se dão mais ao trabalho de passar de 2, 3 graus. A tarde, com sorte, a temperatura chega a 7. Sol, que sol? Pra que serve? Pois é, não tem. Segunda-feira até nevou pra se ter noção... E eu, ser do verão, do calor que sou, não estou sabendo lidar. Tenho a maior preguiça do universo de sair da cama, fico enrolando de pijama pela casa até depois do meio dia, e se deixar nem penteio os cabelos e ponho a cara na rua. Nem a visita que chegou aqui em casa me tirou do estado que eu estava. Graças ao panda pai minha amiga acatou meu conselho, fez um swiss pass, viajou todos os dias, explorou a Suíça de cabo a rabo, e tudo que eu fiz foi recebe-la diariamente com uma comidinha de mãe, feita com muito amor e culpa. 

Porém para evitar virar uma eremita reclusa medusa descabelada, eu vou lá e combino coisas que me obriguem a sair de casa, e logo me arrependo, porém vou rs. E como esse blog é meu diário, meu registro para a posterioridade, quero poder no futuro, quando eu tiver um trabalho e for uma senhora ocupada, vir aqui e morrer de inveja desse tempo que eu podia me dar ao luxo de não fazer nada além de perambular pela rua e falar bobagem na internet. Que fique aqui o registro do meu mimimi, bem ilustrado pelas minhas tentativas de ser um ser humano normal e digno:
Tipo esse dia aqui...
.. que eu fui num tour guiado em alemão numa exposição filosófica em Zurich rs...
... e apesar de estar até agora sem entender o que se passou por lá, fui agraciada com um belo entardecer 
Ou esse dia que eu saí procurando animais e encontrei ovelhinhas...
... cabrinhas...
...e essa espécie que nada pelada no rio cuja temperatura da água está 10 graus
Ou esse dia que fui caçar arte de rua...
...e encontrei verdades
Ou esse dia aqui que as 9h da noite me bateu vontade de comer bolo de cenoura, as 10h ficou pronto e as 11h eu tava me segurando pra não comer a forma inteira
E aí que pra não dizer que só vim aqui e reclamei, venho a público (porque eu sou dessas que só funciona com promessa pública e olhe lá rs) prometer que:
- segunda-feira voltarei a correr - sim, segunda-feira mesmo, porque hoje já é quinta a noite e deve dar mau agouro começar a correr nas vésperas do fim de semana; 
- irei continuar me locomovendo de bicicleta até a neve grossa chegar, apesar de toda a preguiça do mundo; e
- seguirei procurando beleza nessa pequenina porém charmosa cidade gelada onde amarrei meu burro. 

Oremos. 

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