Finalmente Barcelona

Desde quando ganhei meu joguinho de Mega Drive das Olimpíadas de 1992, Barcelona ocupa um espaço especial no meu imaginário. Depois disso, lá pelos 16, 17 anos, comecei a ouvir as histórias das mulheres fazendo topless em Barceloneta, de como o estilo de vida por lá era livre, boêmio, e pronto. Tínhamos um destino de verão favorito. Acabou que meu primeiro encontro com Barcelona não foi no verão, mas foi esse último fim de semana, no começo da primavera. Mati teve uma viagem do trabalho e eu acabei me enfiando junto, rs. 

Viajamos quinta a noite e voltamos domingo no fim do dia. Foram três dias intensos. Sexta-feira fui agraciada com a maior chuva de todos os tempos. Um taxista me disse que chuva daquela só acontece a cada 30 anos, rs. E claro que eu tinha que estar lá no meio. Mas depois de um dia de dilúvio fui recompensada com dois dias lindíssimos de sol e céu azul. 

Passeei muito - meu celular disse que andei uma média de 16 km por dia nesse final de semana. Vi lugares que de tantas fotos e posts que já li nessa vida, achei que conhecia. Mas vi tantas outras coisas que pra mim foram absolutas novidades e que me deixaram muito encantadas. Pra mim, o ponto alto de Barcelona é a arquitetura. Obviamente nas obras de Gaudí, mas muito mais que isso. A arquitetura dos prédios, das praças, as esquinas abertas formando pequenos largos. Tudo tão lindo! Me pareceu uma cidade projetada para o bem estar dos moradores, que ocupam os espaços públicos, que vivem verdadeiramente em comunidade. Me pareceu também que os moradores de Barcelona, no geral, tem um estilo de vida bem tranquilo, curtem o tempo, gostam de comer e beber bem, são estilosos sem esforço, aproveitam a companhia que está dividindo a mesa. Sério... que lugar!

Enfim, deixo aqui um pouquinho do meu olhar sobre Barcelona (em fotos de celular, porque depois de dois dias fotografando com a câmera percebi que o chip dela estava bixado e corrompeu todas as imagens)














Padrão x Qualidade de vida

Eu estou com esse post empacado na minha cabeça há meses. Um dos motivos pelos quais quis criar esse blog foi justamente porque percebi que estava com dificuldade de expressar minhas ideias. Quatro anos depois acho que melhorei, mas ainda sinto dificuldade, ainda mais quando o tema é meio espinhento, como esse. Por isso talvez fique um pouco confuso, mas tenho certeza que vocês pegam o espirito da coisa, rs.  

Quando você fala no Brasil que mora na Europa, ou quando está comentando algo com os amigos brasileiros, a resposta é sempre "que chic!", ou então, "ta reclamando de que? você mora na Europa!!",  ou pior ainda, "mas agora você é rica, mora na Europa". O mesmo serve pra quem mora nos EUA. A real é que...

* 8 on 8 * Arte de rua

O tema desse mês me deixou muito animada... eu adoro arte de rua, principalmente grafite. Mas aí depois me caiu a ficha que Berna é fraquíssima no assunto, rs. Tudo bem, não tem tempo ruim. Fui fuçar nas fotos antigas e achei várias coisas legais, me bateu uma saudade danada de SP e do Minhocão, do meu corredor que um dia foi lindo na 23 de maio - meus vizinhos por 11 anos.

Alias, oportuno esse tema nesse momento, não? Pra quem não sabe, o novo prefeito de SP resolveu apagar os painéis de grafite da cidade - taxando tudo como "pixação e sujeira". Passou tinta por tudo sem dó nem piedade. Diante da repercussão negativa voltou atrás, disse que achou "tudo cinza demais" e que vai contratar artistas de seu gosto para pintar novos painéis. Esse é um resuminho raso do assunto, para quem se interessar vale dar uma procurada nos artigos sobre o tema e tirar suas próprias conclusões.

Pegando carona numa das polêmicas do momento, o que vocês consideram arte de rua? É uma discussão que surgiu no grupo, quando debatíamos a "facilidade ou dificuldade" desse tema. Arte de rua, penso eu, é toda manifestação criativa que vemos por aí: esculturas, grafites, instalações, músicos, projeções, palhaços, e sim, até pixo. Concordo que nem todo pixo é esteticamente bonito, mas aí vamos ser filosóficos: o que é bonito? Entramos naquilo que aprendemos aos 5 anos na pré escola - nem tudo que é bonito pra mim é bonito pra outra pessoa, nem tudo que é feio pra mim é feio pra todo mundo. Acho que o prefeito de SP, diante da possibilidade de fazer um marketing, esqueceu que nem só de Romero Britto vive o mundo das artes, e quem saiu perdendo foi a cidade. Mas ao menos fomentou uma bela discussão. 

Vamos aprofundar o papo? Mandem ver nos comentários, please :)

* * *

Fixando residência na Suíça

Como comecei a falar das burocracias da mudança pra Suíça aqui, engrenei e resolvi completar o assunto de como as coisas se seguiram quando eu cheguei aqui. Esse começo demanda muuuuita paciência, porque a gente quer tudo resolvido, quer ter a vida em ordem, e as coisas não andam tão rápido. Como eu contei no outro post, eu cheguei aqui como turista e Mati já com seu visto L no passaporte. Mas somente com o visto você não consegue fazer muita coisa... Para tocar as pendências do dia a dia, como abrir conta em banco, por exemplo, você precisa do Ausweis, que é um cartão de permissão de residência - que será também o seu documento oficial aqui, a prova de sua regularidade no país.

Meu processo imigratório na Suíça

Além do lado prático da coisa, que é fazer mala, procurar casa, aprender a língua, etc, mudar de país tem ainda o lado burocrático. Como já chegaram aqui no blog algumas pessoas procurando por informações sobre a Suíça, acho interessante dividir um pouco de como foi o meu processo imigratório pra cá. Começo esse post com "meu" porque como é o lema desse blog, nada aqui é verdade absoluta, é apenas um relato da minha experiência. 

Voilà. 

Como vai a vida?

Como acho que comentei em outro post, minha rotina bagunçou. Antes eu ia para a escola de manhã, e voltava com o dia inteiro livre pra dar um jeito na casa, fazer o que eu quiser, estudar, etc. Ai em dezembro eu parei o curso para viajar, e quando retornei em janeiro eles não tinham mais turma para o meu nível de manhã. Resultado é que tenho aula das 13:30 às 15:30, o que pica o dia no meio. E aí me bagunçou toda. Porque eu acabo dormindo mais do que devia, aí me sobra menos tempo pros afazeres da manhã. E quando volto da aula Mati já ta quase chegando, e a gente sempre tenta fazer algo juntos antes de jantar, etc, e nessas eu fiquei toda bagunçada. Ando dormindo mal, sentindo fome na hora errada, me sentindo sem tempo (sim, euzinha, sem tempo hahaha) pras coisas, e parece que ta tudo fora de ordem. Poderia acordar mais cedo? Sim, poderia. Mas quem consegue sair cedo da cama sem ter obrigação nesse frio? Eu não... 
* * *

Pequenas vitórias

Estou eu sentada num banco na cidade velha, aproveitando um solzinho para comer meu pão com salsicha, quando se aproxima um casal de senhores:
- bla bla bla em alemão
- você poderia falar mais devagar, por favor?
- claro, queremos ir na montanha, como se chama?
- o Gurten? 
- sim, você sabe como chegamos?
- sim, ali do outro lado da rua pegue o tram 9 sentido Wabern, a parada é Gurtenbahn. 
- muito obrigada, seu alemão é muito bom!
* * *
Nem sei o que me deixou mais feliz nessa história. Se foi o elogio, se foi eu entender, responder, se foi dar direção nessa cidade que agora chamo de minha, se foi o dia ensolarado, se foi o pão com salsicha. Sei que fiquei feliz!

Follow @ Instagram

Back to Top